Necrológio dos desiludidos do amor

(Publié le 25 novembre 2006) (Mis à jour le: 27 juin 2016)
Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.

Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.

Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas os veremos
seja no claro céu ou no turvo inferno.

Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia…

Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados completamente
(paixões de primeira e de segunda classe).

Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.

 

Carlos Drummond de Andrade

Necrológio dos desiludidos do amor Poésies Carlos Drummond de Andrade Poète Carlos Drummond de Andrade Auteurs Brésiliens Poésies Brésiliennes

 Poésies Brésiliennes - Auteurs Brésiliens - Poète Carlos Drummond de Andrade - Poésies Carlos Drummond de Andrade - Necrológio dos desiludidos do amor -  Os desiludidos do amor estão desfechando tiros no peito.



Voulez-vous commenter cet article ?

Votre email ne sera pas publié

Réalisation : www.redigeons.com - http://www.webmarketing-seo.fr/